Brasil ganha mercado externo com alimentos cozidos no vapor e embalados a vácuo

A paranaense Vapza comercializa 30 itens prontos, que podem ser mantidos fora da geladeira por entre seis e nove meses, em 20 países

Pioneira no país na produção de alimentos cozidos no vapor e embalados a vácuo, a paranaense Vapza Alimentos trouxe da Europa a tecnologia que oferece no mercado local desde 1995. Agora, empresas europeias fazem parte da lista de clientes da Vapza, que já coloca os produtos em 20 países e trabalha para ampliar essa presença neste ano.

As exportações começaram em 2012, hoje representam algo em torno de 5% do volume total produzido, entre 37 e 40 toneladas mensais, e 7% do faturamento, conta o diretor geral da empresa Enrico Milani. Atualmente, Estados Unidos (18%) e Inglaterra (15%) são os principais destinos no exterior, mas França, Portugal, Canadá, Emirados Árabes, Hong Kong, Japão, Paraguai, Peru e Uruguai são alguns outros mercados nos quais os produtos da Vapza já chegaram. Neste ano, os planos são para desembarcar na Alemanha, Argentina, Austrália, ilhas do Caribe, Índia e Israel.

“Voltamos para a Europa com a tecnologia que trouxemos de lá, mas com produtos que eles não têm como mandioca, frango, quinoa, feijões”, diz Milani. Mandioca, frango e batata são os três alimentos mais exportados pela empresa, que conta com 30 itens em linha, entre vegetais e carnes.

CERTIFICAÇÕES QUE FACILITAM OS NEGÓCIOS
A Vapza está habilitada para exportar inclusive carne para a Europa, de acordo com Milani. Entre as certificações obtidas pela fábrica está também a de segurança de alimentos HACCP (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle). A maior demanda da Vapza fora do Brasil vem do food service. Mas o varejo também está no foco.

Neste ano, a empresa está em processo de certificação da BRC (British Retail Consortiun), que abre as portas de grandes redes do varejo na Europa e nos Estados Unidos e também já é solicitada por algumas redes de food service, informa Milani.

Países europeus e os Estados Unidos são os principais alvos no exterior, principalmente pelo maior valor agregado e porque o conceito é mais difundido. O diretor diz que hoje, apesar de a Vapza estar no mercado desde 1995, a tecnologia ainda é considerada nova, do futuro, e a dificuldade é fazer as pessoas quebrarem o paradigma e perceberem que podem comer um produto saudável que não está refrigerado, que não tem conservantes e que está dentro de uma caixinha embalado a vácuo.

Os produtos duram de seis a nove meses nas embalagens fechadas, e depois de abertas eles devem ser mantidos em geladeira e consumidos em até dois dias.

A participação em feiras e eventos, com o apoio da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), foi a principal alavanca para a empresa criada em 1995 ultrapassar as fronteiras do país. No ano passado, a Vapza passou por uma reestruturação na área comercial no Brasil e não participou de muitos eventos no exterior. Neste ano, volta a ser mais presente nos eventos internacionais. Já participou de um na Califórnia, nos Estados Unidos, e mais cinco estão programados.

EXPANSÃO NO VAREJO DOMÉSTICO
No mercado interno, o varejo garante a maior demanda, com a presença nas principais redes do Brasil, segundo Milani, que ressalta que a tendência é de um desempenho melhor nesse canal com maior participação no médio varejo, nas redes regionais.

As regiões sul e sudeste respondem pela maior parte das vendas locais, enquanto no norte e no nordeste a marca está apenas nas grandes redes. Para ampliar presença no país, a empresa está formando equipes próprias em diversas regiões, como no interior do estado de São Paulo e do Rio Grande do Sul, em Goiás, Minas Gerais e Brasília.

RELANÇAMENTO DOS ORGÂNICOS
O portfólio de produtos também ganha reforço. Seguindo a maior demanda pelos alimentos orgânicos, a empresa relançou a linha no ano passado. A primeira iniciativa nesse sentido foi anunciada em 2015, mas não deslanchou pela dificuldade de obter os alimentos. Para voltar ao segmento, a Vapza fez um trabalho de credenciamento e certificação de produtores, a produção foi negociada e os produtos já chegam inclusive a outros mercados como Portugal, Espanha e Estados Unidos, ainda que timidamente, por enquanto. “É uma tendência”, afirma Milani. Nessa linha são quatro itens: arroz integral, feijão carioca, feijão preto e quinoa.

Esse número deve crescer em 2018, e além da diversificação na linha de produtos, a Vapza também estuda lançar embalagens menores, para atender principalmente lojas de bairro, express. A empresa está preparada para crescer. Em 2014 ampliou a capacidade de produção de 8 mil para 15 mil toneladas anuais e mantém 300 empregos diretos. Tem atualmente perto de 30% de ociosidade, informa Milani.

Outro reforço para ampliar as vendas foi o maior investimento em divulgação, particularmente na mídia on-line. Desde o final do ano passado, por exemplo, faz uma campanha com a influencer fitness Gabriela Pugliesi. “A grande barreira para crescer é tornar o produto mais conhecido”, afirma Milani.

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